Seja bem-vindo! Hoje é

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O óleo residual de frituras: o descarte

    O óleo é um dos maiores poluidores de águas doces e salgadas das regiões mais adensadas do Brasil. Embora o óleo represente uma porcentagem ínfima do lixo, o seu impacto ambiental é muito grande.
    Ao contrário do Brasil, outros países como Bélgica, Holanda, França, Espanha, Finlândia, possuem padrões para o descarte. Apesar da ausência de regulamentação na Áustria, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Dinamarca, Finlândia, Israel, Noruega, Suécia, Japão e Suíça, existem critérios recomendados para o descarte de óleos e gorduras de fritura nesses países.

    O óleo utilizado repetidamente em frituras por imersão sofre degradação, acelerada pela alta temperatura do processo, tendo como resultado a modificação de suas características físicas e químicas. O óleo se torna escuro, viscoso, tem sua acidez aumentada e desenvolve odor desagradável, comumente chamado de ranço, passando à condição de exaurido, quando, então, não mais se presta para novas frituras. Isso acontece em função de conferir sabor e odor desagradáveis aos alimentos, bem como adquirir características químicas comprovadamente nocivas à saúde. Não havendo utilização prática para os residuais domésticos e comerciais, em geral são lançados na rede de esgotos.
    O óleo descartado no ralo da pia da cozinha, além de causar mau cheiro, aumenta consideravelmente às dificuldades referentes ao tratamento de esgoto. Este óleo descartado acaba chegando aos rios e até mesmo ao oceano, através das tubulações. A presença do óleo na água é facilmente perceptível. Por ser mais leve e menos denso que a água ele flutua, não se misturando, permanecendo na superfície. Cria-se assim uma barreira que dificulta a entrada de luz e bloqueia a oxigenação da água. Esse fato pode comprometer a base da cadeia alimentar aquática (fitoplânctons, microalgas), causando um desequilíbrio ambiental, comprometendo todo um ecossistema e prejudicando a vida.    Há rios de certas regiões do Brasil que ainda hoje recebem todo o esgoto dos municípios sem o devido tratamento, devido à ausência de um plano de saneamento para estes dejetos. Estes efluentes, agregados com o descarte do óleo residual, acarretarão prejuízos irreversíveis ao meio ambiente. Há pessoas que aconselham colocar o resíduo dentro de uma garrafa PET e jogar no lixo, porém essa não é a solução ideal, já que o óleo pode vazar, contaminando o solo e as águas subterrâneas. Observa-se também que o lançamento de óleos residuais de fritura na rede de esgoto acaba provocando a incrustação nas paredes da tubulação e a consequente obstrução das redes pela formação de placas de gordura, causando sérios prejuízos, já o descarte no solo, pode causar impermeabilização, deixando-o poluído e impróprio para uso.
    Muitos estabelecimentos comerciais (restaurantes, bares, pastelarias, hotéis, etc.) e residências depositam o óleo de cozinha usado diretamente na rede de esgoto, com consequente entupimento e mau funcionamento das estações de tratamento. Para retirar o óleo e desentupir os encanamentos são empregados produtos químicos tóxicos, com efeitos negativos sobre o ambiente.
    Segundo o professor do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Alexandre D'Avignon, a decomposição do óleo de cozinha por bactérias anaeróbicas emite grandes quantidades de metano na atmosfera. Segundo ele, o óleo de cozinha que muitas vezes vai para o ralo da pia, acaba chegando ao oceano pelas redes de esgoto. Em contato com a água do mar, esse resíduo líquido passa por reações químicas que resultam em emissão de metano. "Você acaba tendo a decomposição e a geração de metano, através de uma ação de bactérias anaeróbicas, que ocorrem na ausência de ar”. Só para se ter uma idéia, o gás metano é 21 vezes mais poluente que o gás carbônico, pois retêm mais radiação solar.

Um comentário:

  1. vilmacalvinho@hormail.com17 de outubro de 2011 10:29

    Acabei de fazer um trabalho sobre logística reversa , e O professor Alexandre esta certíssimo , é com com educação e esclarecimento que teremos um planeta melhor para se viver!
    obrigada!
    VILMA CALVINHO

    ResponderExcluir